Enfiou a mão dentro da minha caixa torácica e levou aquele meu músculo involuntário cuja rima faz os poetas apelarem para um “furacão”. É um órgão-bomba, irriga-me enchendo de sangue fervente e, também, fica prestes a explodir toda vez que digo “sim”.
Já que eu não era uma pessoa duplicada e esse tipo de coisa não existe nem na minha imaginação, nesse momento, eu queria ser nuvem. Passear, flanar sempre pelo céu, mesmo quando não azul. Ou poderia ser estrela, iluminar, ajudar as pessoas enxergar a si ou aos outros. Mas eu não conseguia ver.
Como se sabe de um sentimento quando não se pode olhar, tocar, cheirar? Por isso o substantivo é classificado de abstrato. Ele não tem forma, odor – às vezes, quer tomar cor, afinal, quem nunca ouviu falar em “amizade colorida”, “paixão roxa” e outras tonalidades? Independentemente da coloração, ele é invisível. Contudo, tenha certeza, ele está ali e não se conhece sua duração.
Para saber se ele existe, olhe em volta. Não haverá outra pessoa.
É mesmo assim?