Cheguei. No meio do mar de pessoas e alguns animais, apenas rostos desconhecidos. Não sei porque sempre queremos encontrar uma face amiga quando viajamos a um lugar estranho. Mas não havia ninguém a me esperar.
Ok, desci a rampa e sentei no banco ao lado do elevador. Ele estava lá, a poucos metros, radiante. Não continha a sua felicidade naqueles pequenos olhos cor-de-oceano-imenso. Estava nervoso, entretanto.
Em sua mão esquerda, uma rosa de Granada, num tom que variava do vermelho sangue ao vinho cabernet. De cabo longo, seus espinhos haviam todos sido retirados, afim de que a flor se tornasse inofensiva. A essência exalada me atingia, mesmo daquela distância.
Quis falar com ele.
Cheguei a me levantar, porém, percebi que talvez não fôssemos capaz de nos entender. Achei melhor evitar o abismo comunicativo permanecendo ali sentada a observá-lo por mais algum tempo.
Vi, então, em sua outra mão, uma pequena caixa tão rubra e aveludada quanto a flor trazida pela comparsa. A trilha sonora eram as campainhas e a voz de uma mocinha informando partidas para e chegadas dos mais inusitados lugares do mundo. Fiquei eu nervosa.
A apreensão dele crescia na espera. Eu precisava fazer algo.
Levantei. Dei dois passos largos, mas, ao iniciar o terceiro em sua direção, exitei.
Ele se virou, olhou para o além e lá estava ela. Finalmente, ele a beijou, entregou-lhe a flor. Em seguida, ajoelhou-se, abriu a embalagem felpuda e, naquele mesmo saguão sob os olhos de várias testemunhas, fez seu pedido.
Uma mão pousa no meu ombro: minha prima chegara. Disse haver errado de portão, deu-me um abraço e um beijo. Fomos embora.